domingo, 3 de fevereiro de 2013

O exemplo "crioulo"


Termina o conto de fadas dos Tubarões Azuis na C.A.N. 2013, com uma eliminação inglória aos pés de uma das selecções mais fortes em África (os ganeses remataram pela primeira vez aos 85 minutos, tiveram um grande penalidade muito duvidosa assinalada e um guarda-redes inspirado). 
Heldon, Gegé e cpa. surpreenderam o mundo do futebol, escreveram uma página de ouro na história do seu país e mostraram que este desporto de milhõ€s ainda vive de sonhos, ainda é "o jogo do povo".  
E que bela história: um controlador aéreo em licença sabática a conduzir um pequeno arquipélago com cerca de 500.000 habitantes a uma grande competição, onde conquistou o respeito e admiração de quem não os conhecia, como o demonstram várias crónicas dos mais afamados "pensadores" do desporto-rei por esse mundo fora, completamente rendidos. Parabéns!

E Cabo Verde serve-nos de inspiração, de bálsamo, nos momentos difíceis que atravessamos. 
Não tiveram as melhores condições de treino, não tinham experiência a nível das grandes competições, não tinham uma equipa técnica estrangeira paga a peso de ouro, e não tinham as individualidades que Marrocos, Angola e Gana apresentavam, eram vistos como os "outsiders". Mas alguém notou todas essas diferenças? 
Enquanto outros pensavam em prémios de jogo, enquanto outros pensavam nos seus contractos, os jogadores deste pequeno país estavam unidos, gratos pela oportunidade que o palco da C.A.N. dava à sua Cabo Verde, ao seu povo, e o que lhes faltava em experiência, na conta bancária, crescia-lhes em vontade, alegria, união, entre-ajuda, humildade e trabalho, e com isso foram a grande surpresa da CAN, e hoje, se houvesse justiça no futebol, e um árbitro mais competente, seriam também um tomba-gigantes. 
E é a exemplos como este que nós nos devemos agarrar, porque há coisas que o cifrão não compra e que podem fazer toda a diferença. 
Esperemos que o Heldon e o Gegé possam trazer com eles um pouco do espírito, da garra e do orgulho que eles viveram junto com a sua selecção. 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Gil Vicente – Marítimo (Antevisão)


Após dois jogos em casa jogamos fora contra o Gil Vicente. Jogo este que é mais uma vez importante pois temos de recuperar pontos e lugares na tabela classificativa.
Em caso de conseguirmos levar os 3 pontos, podemos ascender a alguns lugares na tabela, dependendo dos resultados de equipas como Rio Ave, Vitória de Guimarães, Sporting, Académica, Estoril e o próprio… Nacional (que caso consiga a vitória e nós o empate, passa à nossa frente).
É importante uma vitória, que vinha ajudar a atingir o objectivo europeu mas que também seria importantíssimo em termos anímicos e motivacionais para todos, ultrapassando os adeptos e atingindo os próprios jogadores e treinador.
Comparando as duas equipas, reparamos que estamos apenas em 10º lugar (com o mesmo número de pontos que quatro equipas) e o Gil Vicente em 13º (com os mesmos pontos que o 12º classificado), diferenciados apenas por 4 pontos.
Em questão de golos marcados, Marítimo e Gil Vicente são duas das três equipas com menos golos marcados, 14, e com grande diferença para os golos sofridos – no nosso caso sofremos 23 e o Gil Vicente sofreu 25.
Depois disto, mostrando alguns factores que podem ser importantes, podemos todos verificar que vão-se defrontar duas equipas que estão à procura da vitória para subir na tabela e que será um jogo equilibrado, difícil, competitivo e que não deve ter grandes oportunidades de golo.

Quanto à lista de convocados, acredito ser idêntica às anteriores, porém com uma diferença: Marakis está convocado na B, o que fará com que Semedo esteja convocado para a A.
A lista de convocados (a negrito estará colocado o que acho que será o 11 inicial).
Guarda-redes: Ricardo Ferreira; Welligton;
Defesas: João Diogo, Márcio Rozário, Roberge, Luís Olim, Briguel e Rúben Ferreira;
Médios: Rafael Miranda, Semedo, Artur e David Simão;
Avançados: Sami, Adilson, Danilo Dias, Suk, Kukula;

Marítimo - Gil Vicente, com vitória nossa por 1-0 - Pré Época 2012/2013

  • Será Semedo ou Artur a entrarem em campo de início?
  • Será Adilson ou Suk ou Kukula a assumir o papel de ponta de lança?
  • Concordam que será este o 11 inicial?


"Oh Marítimo, oh Marítimo
Sabes honrar a Madeira
Com orgulho e altivez 
Oh Marítimo, oh Marítimo 
Tens o nome à cabeceira 
Do desporto português"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Messias, escribas e o Estado Central.

"Se não vier um Messias..
Quando se fala de futebol profissional em Portugal, parece que se fala de uma qualquer coisa que nada tem a ver com o país que somos. Um país abalado por uma das maiores crises da sua história, económica e financeira, em que a população empobrece, em que o desemprego alastra e onde, todos os dias, uma empresa fecha. 
Sendo assim, por que carga de  água haveria o futebol de ser diferente? 
A maioria dos clubes em Portugal não vive, sobrevive. À excepção de Benfica e FC Porto, com uns (quase) obscenos orçamentos para a realidade lusitana, jogando um campeonato à parte, a que nem o Braga nem o Sporting têm possibilidades de desafiar, os restantes clubes da nossa Liga mitigam o que resta, cada vez com menos receitas para cobrir as despesas, mesmo que alguns com uma ginástica de fazer inveja, originando uma competição profundamente desequilibrada (equilibrada, isso sim, mas por baixo), perspectivando-se para breve situações de incumprimento a todos os níveis. Com a Liga a ver!
Na Madeira, duplamente penalizada pelo plano de resgate ao Continente, as coisas não são, muito naturalmente, melhores. Bem pelo contrário.
A recente entrevista do presidente do Nac.. ao programa 'Prolongamento' da RTP-M, mostrando um dirigente menos exuberante do que o habitual, comprova, contudo, a ideia de quem parece de costas voltadas para os problemas de toda uma região que não se circunscrevem unicamente ao futebol profissional. As políticas megalómanas de crescimento, pese embora embora a obra feita, mas em base pouco sustentada sob o ponto de vista social, pagam-se caro. Há problemas conhecidos, os mais recentes relativos a problemas fiscais e ao caso Rúben Micael. 
O Marítimo mergulha também em situações difíceis, financeiras e de contencioso fiscal, com um estádio inacabado, mas sustentado numa massa crítica e social, quiçá, a lhe permitir sobreviver mais no tempo, se, entretanto, nada mudar na política regional. Ou se não aparecer por aí um Messias salvador. 
Uma coisa o presidente do Nac... tem razão: será utopia exigir-se, por parte da comunicação social e dos adeptos, a Europa a Marítimo e Nac.. Os adeptos, e neste caso parece que os do Marítimo já interiorizaram isso, terão de habituar-se a novos tempos. Por agora alcançar a Europa não é uma miragem. Mas, muito em breve, leia-se já na próxima temporada, provavelmente os objectivos e ambições serão obrigatoriamente repensados. Se, entretanto, todos sobreviverem à tempestade." Emanuel Rosa 

Esta crise tem sido uma lição para muitos, e tem demonstrado que muitos de nós vivíamos acima das nossas reais possibilidades. Crescemos sem olhar a meios, sem sequer nos importar se essa ambição desmesurada comprometeria o futuro. 
Mas se uns já há algum tempo aprenderam a lição e aceitaram a cruel realidade, com tudo o que de negativo isso trouxe (sobretudo a nível desportivo, com todas as implicações que isso acarreta), outros há que apesar das reconhecidas dificuldades, não deixam com isso de mostrar a sua arrogância e os seus tiques de superioridade, continuando a sua saga como se nada se tivesse alterado. 
E isto vem (também) a propósito de mais um texto de um escriba remunerado, Pedro Mota (in "Diário de Notícias" 01-02-2013), que, para além de começar por dar parabéns a si próprio, fazendo depois toda a ladainha da auto-promoção da excelência, das modalidades que não fecharam (esquecendo-se de referir mais uma vez o futebol feminino e o futsal), vem falar da, agora importante, aposta na formação.
Esta estratégia, que começou com aquela dramática encenação de entregar as chaves e mandar os miúdos para a porta da Quinta Vigia (demonstra as reais motivações dos seus "responsáveis"), foi montada com a chegada da crise, com o intuito de chantagear e de conquistar alguma opinião pública mais desatenta. 
Este clube apenas este ano colocou dois jogadores madeirenses da sua formação na equipa principal, quando outros têm-no feito desde sempre, mas quem os lê parece que é um feito inédito, algo de inovador, de visionário. 
É que ainda na época passada este mesmo clube (garanto-vos que era o mesmo), na apresentação da nova época, acarinhava os "meninos da Choup.." que mais não eram que SEIS jogadores provenientes de Angra dos Reis. 
Onde é que estava a aposta na formação? Quantos madeirenses faziam parte desse plantel?
Há coincidências fantásticas, num há? 
Mas se existem questões a ser debatidas e resolvidas cá dentro, se existe uma urgente reflexão a fazer sobre o modelo que queremos para o nosso desporto, os objectivos que queremos atingir, etc., há também uma luta comum entre todos nós que é o tão propalado "princípio da continuidade territorial". 
Há muito boa gente que aponta o dedo mesmo sem conhecer a realidade da insularidade, gente que acha que é tudo igual e que não devem haver quaisquer distinções. 
Ora pois bem, sabiam essas pessoas que o Estado Central apoia as deslocações de todas as equipas continentais à Região e obriga a que as equipas da Madeira, por seu lado, continuem a custear as suas viagens, sem qualquer apoio do Estado? Mas que raio de país é este? 
Com isto já caíram várias equipas das mais diversas modalidades. Com isto o desporto, que deveria ser uma competição saudável e justa entre todos é ferido de morte: é por este facto que a equipa de Hóquei, de Voleibol e de Andebol, realizam jornadas duplas no rectângulo, competindo em dias seguidos, em condições muito adversas. É por isto que o clube optou por dar falta de comparência a um jogo nos Açores, da sua equipa de voleibol masculino, por essa viagem implicar um custo acrescido. 
Isto é coisa de terceiro mundo, é uma discriminação injusta, ilegal e inconstitucional aos praticantes que, segundo o Estado português, por azar nasceram numa região autónoma. 
E depois, como dizia um antigo seleccionador, os ch*l*s somos nós? 

A tua oportunidade.

O Marítimo procura junto dos seus adeptos, novos talentos para a "maritimo.tv"  (jornalistas, apresentadores, operadores de câmara, editores gráficos e pivôs).  
Não percas a oportunidade de fazer parte deste ambicioso projecto.  

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Os papéis invertem-se.

Hoje haverá muita gente, que se diz adepto, a mudar de canal para um jogo além-fronteiras de equipas que, muitos deles, dizem ser também suas. 

Os clubes cá do burgo, seus adeptos e toda a estrutura do futebol português, que olham "por cima do ombro" para as restantes equipas, que incentivam esta mentalidade tosca e provinciana de um campeonato a três, impondo ao país esta realidade, que dirão agora que o feitiço se vai virando, em que muitos estão mais entusiasmados com um clássico espanhol, que também querem fazer seu, do que com, como no caso de hoje, um jogo daquele que diziam ser o seu clube? E que dirão quando este fenómeno for ainda mais acentuado? 
É a globalização do futebol em todo o seu esplendor. 

Outros tempos, outras gentes, outras vontades

"Tirando a minha família, o Marítimo é o primeiro ponto. 
Eu cresci ali, joguei ali, nunca levei um tostão do Marítimo para jogar e o último contracto que eu fiz com o Marítimo, ..., mandaram-me chamar para eu pôr as minhas condições e eu cheguei lá e disse 'olhe, eu quero assinar para o resto da minha vida e não quero dinheiro nenhum'." 
Andrade "Bananeira"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

"A César o que é de César"

Cumprindo o prometido a uma sugestão deixada por um leitor, gostaríamos de conhecer a vossa opinião em relação ao artigo do Luís Miguel Rosa publicado no "Diário de Notícias", analisando o momento actual do clube (a nível desportivo e institucional). 

domingo, 27 de janeiro de 2013

"Faltou-nos muita coisa." Roberge



"Temos de melhorar muito. Hoje não tivemos bem, mas, também, muito por culpa do Rio Ave que tem uma boa equipa com vários jogadores que se notabilizaram no campeonato português. Ainda assim, a nossa prestação em casa tem que melhorar.
Não há épocas iguais. Os próprios jogadores (Sami e Danilo Dias) querem melhorar porque já fizeram a diferença. Temos que sentar e conversar, mas assumo toda a responsabilidade." Pedro Martins

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Do continente? Marítimo também!"

Gostava de dirigir-me a todos os membros deste blogue e maritimistas em geral para falar-vos do que considero uma falta de identidade de muitos na nossa ilha em relação ao Club Sport Marítimo.

Queria começar por dizer-vos que desde pequeno fui educado como sportinguista e quem conhece-me sabe perfeitamente disso e não posso negar. Aliás, toda a minha família é sportinguista, sendo eu o único maritimista.

Pode ser que um dia consiga alterar a cor do cachecol verde e branco do meu irmão. Pode ser que um dia, após vitória frente ao Nacional, vejamos imensos miúdos na escola de cachecol do Marítimo amarrado à sua bolsa. Pode ser que um dia estejamos em maioria na nossa região, a nossa própria casa. Mas houve certamente um dia, em que as grandes multidões que faziam mexer o Marítimo noutros tempos, deixaram de transmitir os valores e tradições do nosso clube. Será verdade? Talvez não, mas o que aconteceu para tanta gente ficar submissa a clubes que ficam a mais de mil quilómetros de distância? Essas sim, precisam de pagar todos os meses à SportTv!

Já aconteceu perguntarem: "Do Marítimo?!". A resposta a este tipo de pergunta já teve diversas versões, mas faço sempre questão de dizer que deve perdurar sempre os valores e tradições que representam um clube. É boa a sensação de gritar golo do Marítimo num restaurante continental como aconteceu com o golo do Rodrigo António esta época no estádio da Luz. Aliás, é uma sensação muito boa! "É madeirense". São as conclusões imediatas de todos os que estavam à minha volta. Mas o que é ser maritimista, senão duas vezes madeirense?

Quando os clubes com dívidas grandes ganham um título, observamos o Funchal apinhado de multidões a festejar. Pior que isso são as crianças envolvidas. Reparei que uma das primeiras iniciativas (que nunca esqueço) que o presidente do Beira-Mar levou a cabo foi o kit bebé aveirense. Porque razão o clube não começa a criar raízes junto dos mais novos? É certo que está a levar a cabo algumas iniciativas junto das escolas e está a criar uma relação de proximidade com a camada juvenil. Mas é preciso mais e deve insistir-se nesta matéria. Não é apenas a entrega de um cachecol e bilhetes, é a continuidade do clube, porque o Clube Sport Marítimo são todos os seus sócios e simpatizantes.

Quem nunca  teve de responder à pergunta acerca do clube que apoia no continente após ter dito que é maritimista? Infelizmente acontece com regularidade, mas de todas as vezes respondo da mesma forma. "Do continente? Marítimo também!"

Saudações maritimistas!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O estranho caso de Leocísio Júlio Sami

Algo não está bem com Sami, e não me venham dizer que o guineense está contrariado por não  ter saído no verão, porque o momento por que está a passar está a prejudicá-lo tanto ou mais como ao Marítimo.
O jogador deve exorcizar os seus problemas, e com o apoio da estrutura e o carinho dos adeptos e colegas procurar recuperar os seus níveis motivacionais, a sua confiança. 
Queremos o Sami de volta, mas o Sami da época passada. 
É hora de limpar a mente, de um novo começo e de provar aos críticos que ali dentro ainda está um enorme talento.