domingo, 10 de fevereiro de 2013

Jogo Sporting - Marítimo; Cachecol e Ameaças

É com muito orgulho que vos escrevo, pois hoje conquistamos 3 importantes pontos.
Escrevo também hoje devido ao seguimento do que se passou no jogo. Pois bem, aqui vai:
Primeiro, atrasaram a entrada a adeptos verde-rubros... tudo por causa do cachecol deste blog, Irredutível. Porquê? Porque consideraram a palavra ofensiva e agressiva, "Irredutível". Depois, chamaram reforços, chegaram a fazer "peito", reforçando a segurança devido ao cachecol conter essa palavra proibida... A solução foi terem de deixar o cachecol à entrada, no Guarda-Objectos...
Depois, com a vitória consumada, continuamos a apoiar os verde-rubros até saírem todos do campo, saímos tranquilamente, e dirigimos-nos ao parque, onde os autocarros partiriam.
Estávamos a falar entre todos, felicidade estampada, cachecóis e camisolas empenhadas e bandeiras nos punhos. Sem criar confusões, ficamos juntos. Éramos 5 pessoas, sendo que um único homem. Chegaram sportinguistas (3 homens da claque Juve Leo) à nossa beira, perguntaram-nos pelos "Ultra Templários", por Câmara de Lobos e pelos ditos "Xavelhas" e pela bandeira que foi roubada pelos UT e que aquilo não se fazia... Depois, convidaram o único rapaz que estava connosco para andar à porrada, sendo que para isso ele teria de chamar mais 2 homens, para serem 3 contra 3...
Depois, acalmando os ânimos dizemos que não havia ninguém para andar à porrada com eles, o mais falador vira-se para uma das meninas e pede um beijinho para ele se ir embora, encostando-se e estando-se a fazer a ela. Ela empurrou-o e disse que beijo não lhe dava, mas para ele ir embora.
Lá foi ele e nada mais nos aconteceu... Se tivemos medo? Sim, um pouco... Resolve-mos também tudo pelo melhor e ficamos seguros, todos juntos!

Depois de contar-vos isto, só tenho a dizer:
VIVA O MARÍTIMO!!!


PS: De salientar que foi uma boa deslocação, com poucas pessoas é certo, mas uma das deslocações mais vibrantes, mais cantantes, mais participativas e mais unidas das que eu consegui assistir!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sporting - Marítimo: duelo de leões (ante-visão)

Jogo de amanhã, desta feita contra o Sporting. Mais um jogo considerado importante pelo salto que dará na tabela classificativa em caso de vitória. Espera-se raça, qualidade, vontade, determinação e muito empenho para conseguirmos os três pontos tão ambicionados.
Todos nós sabemos que não será fácil este encontro entre leões, em que ambas as equipas estão com o orgulho “ferido” e deste modo ambicionam os três pontos para melhorarem.

Últimos encontros frente ao Sporting, em nossa casa:
  • Jogo referente à 3ª jornada – resultado 1-1 - golos de Wolfswinkel (54 minutos) e João Guilherme (86);
  • Jogo da Taça da Liga - resultado 2-2 - golos de Wolfswinkel (29), Héldon (40), Rafael Miranda (65) e Xandão (87);

E quem não se lembra dos 2-3, na 3ª jornada do campeonato na época passada, em que fomos a Alvalade vencer?

Festejos do golo de Babá

No que toca a opções tácticas  espero que o Pedro Martins que não cometa os mesmos erros que no jogo anterior. Mexeu na equipa, e bem, mas fez más opções, nomeadamente colocar o Rodrigo António que esteve apagado durante os minutos que teve em campo, sendo substituído antes do final da primeira-parte, como exemplo. De salientar que neste jogo não deve existir grandes alterações nem “invenções” e deverá jogar os jogadores em melhor forma física e mental.

Onze que considero que vai alinhar a titular:
Guarda-Redes: Ricardo Ferreira;
Defesas: João Diogo; Roberge; Márcio Rozário; Rúben Ferreira;
Médios: Rafael Miranda; David Simão; Artur;
Avançados: Suk; Sami; Danilo Dias;

Questões ainda por resolver:
  • “Caso” João Guilherme não ter vindo a ser convocado. O que se passa? Qual a vossa opinião sobre isto?
  • Rúben Ferreira deverá ou não jogar, visto que no último jogo, ficou no banco. Terá sido um aviso ou um castigo?
  • Quem joga a meio campo? Rafael Miranda, Semedo, David Simão e Artur? Qual será o trio utilizado?
  • Haverá ponta de lança fixo, Suk, ou será como nos jogos anteriores contra o Sporting e até mesmo Newcastle, em que não joga ponta de lança fixo, servindo o Danilo Dias como falso ponta de lança?
Constrói a equipa titular, deixando a tua opinião em comentário.


PS: Como poderam ver pelas fotografias, estive com a Margarida Novais com os jogadores, o ambiente era de confiança, alegria e vontade de fazer mais e melhor. Todos estão confiantes num bom resultado. De salientar que o Danilo disse que o cachecol do Irredutível era bonito, tendo um também, em sua casa, pendurado e que olha para ele sempre que sai de casa.

"Vontade de vencer."


De volta a um palco onde na época passada arrancamos para uma brilhante época.
Hoje os tempos são outros, esta equipa tem valor mas atravessa uma fase de pouca confiança, os resultados não estão a aparecer e as dificuldades na finalização persistem.
Mas e que melhor do que Alvalade para afastarmos estes "fantasmas"?
Passem várias vezes o jogo de Alvalada da 3ª. jornada da época passada, e a vitória (e que vitória) da segunda volta no Caldeirão. Não deverá haver maior motivação do que recordar esses dois grandes jogos, sobretudo o segundo, um verdadeiro festival.
Ao árbitro convém analisar várias vezes o jogo dos quartos da Taça de Portugal, apitado pelo seu colega Artur Soares Dias em substituição de Cardinal pelos motivos que todos conhecemos, para que pelo menos valha a pena a viagem.

Lista de convocados:
GR: Ricardo Ferreira, Salin;
DF: João Diogo, Márcio Rozário, Roberge, Igor Rosi, Briguel, Rúben Ferreira;
MD: Rafael Miranda, Luís Olim, Semedo, Artur, David Simão;
AV: Sami, Heldon, Danilo Dias, Kukula e Suk.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Ser campeão é detalhe








"É bom aferir que, muitas vezes, aqueles que julgamos serem os nossos problemas, nada são comparados com o que aqui vimos, para mais perante pessoas que têm uma postura tão positiva como esta." 
"É bom receber um sorriso destas pessoas, é bom lhes trazer alegria e entusiasmo. Sentimos uma enorme satisfação." Pedro Martins

Visita ao "Centro de Actividades Ocupacionais" da Ponta do Sol. 

Álbum

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Um de nós


"O Marítimo? Faz parte da minha vida. Deu-me uma oportunidade como jogador aos 29 anos, e depois deu-me a oportunidade de começar a carreira de treinador. Foram dez anos com muito sucesso. Nunca esquecerei o Marítimo e a Madeira."

Quando me lembro dele, a primeira coisa que me vem à cabeça é um contra-ataque do adversário. Qualquer contra-ataque, qualquer adversário, fosse um, ou fossem muitos. Não sabia exactamente como, só sabia que ia ser com classe. 3 segundos depois, balbuciaria o meu pai, com um sorriso mal escondido: "Mitchell. Fácil." Era isso que parecia. Ele nunca cortava feio, e raramente batia, talvez jogasse por regras diferentes. Calhando, nem sujava os calções. Era um daqueles defesas que faz carreira só para dar bom nome à profissão. Para mim, o Mitchell nunca fez um jogo mau. Jogos maus são coisa de jogadores desocupados, e o Mitchell era sério e holandês, tinha mais que fazer. Não fazia correrias, nem acrobacias e mal me lembro dele gritar com os colegas. O Mitchell sempre foi a prova acabada de um líder pelo exemplo. Para carisma e reverência, bastava-lhe estar. Tinha tanta qualidade e tamanho compromisso com aquela camisola, que não havia como não respeitar, e não tentar modestamente fazer o mais parecido possível. Não acho que, no seu mandato, algum jogador do Marítimo tenha falado para ele sem ter em conta, até à terceira camada do subconsciente, que estava a falar com o capitão. Nele, aquela braçadeira fez sempre sentido, e é isso que faz um mundo de diferença. Não conheço ninguém que o tenha visto, e que não ficasse orgulhoso por ser ele a levá-la.

Em Portugal, ele não vestiu outra camisola. Como tinha de ser. E depois de uma fugida curta à Arábia, voltou para casa, para contarmos com ele. 3 anos desde as botas penduradas, e foi a hora. A época estava estranha, e a aposta foi conservadora, barata, lançou-se um homem da casa para segurar o barco. Na altura, a falta de experiência assustou, mas, vendo agora, foi sempre lógico. Afinal de contas, ninguém melhor do que quem tinha feito vida a segurar-nos tantas vezes. Essa foi a equipa do Marítimo mais entusiástica que me lembro de ver. Não a melhor, não a mais temível, mas, sem ponta de dúvida, a que tinha o maior coração de todos. Lembro-me de um jogo em Belém, a perder 2-0, a jogar com 10, a um quarto-de-hora do fim. Empatámos. Sofríamos golos a rodos, mas uma coisa era certa: não havia adversário nenhum, nem resultado nenhum, que não pudéssemos virar. Esse Marítimo era uma vertigem de futebol total, e de emoção e nervos pela pele. Até hoje, se há "o jogo que eu não fui ver", é a última jornada desse ano, no Afonso Henriques. Tínhamos de ganhar para ir à Europa, o Vitória só precisava do empate, e marcou primeiro. O 2-1 final festejei como um título, a ver em comoção, pelo streaming, o Mitchell a chorar no campo, e depois a falar como um adepto, na sala de imprensa. Não como o jogador, não como o treinador, mas definitivamente, e nesse que foi o seu último grande dia de Marítimo, como um de nós. É isso que ele será para sempre.

Este ano, cada vitória do Belém é, pois, vitória de um dos nossos. Fico a torcer pelo Jamor imensamente. Se ele lá estiver, estará também o Marítimo.

O estranho lado do futebol.


"Quem não viu, não percebe o que se passou." Rafael Miranda
"É muito complicado explicar o se passou aqui. Fizemos um bom jogo, dominámos no meio campo adversário mas não fomos objetivos na concretização. Depois, fomos muito condicionados pelos critérios da arbitragem. No primeiro golo não há falta para penalty, o que nos penalizou logo com cartões a Roberge e Diogo Simão. Além disso, na segunda parte, todas as jogadas confusas na área do Gil eram sancionadas contra nós.
[João Ferreira] Não penalizou algumas faltas que eram merecedoras de cartões e, a culminar, a expulsão de João Vilela é injusta. O resultado é este, parabéns ao Gil Vicente, mas é um resultado enganador." Pedro Martins

"Barcelos viu o estranho e injusto lado do futebol
Se o Marítimo pudesse recorrer desta sentença, ganharia em qualquer instância e em qualquer tribunal. No futebol isso não é possível, todos sabemos, e apenas os golos vinculam o destino dos envolvidos. Mas a ideia mais forte tem de ser esta, sem ponta de exagero: o Gil Vicente venceu 4-2 e, provavelmente, nem o empate justificou.
Há um lado misterioso, estranho, indecifrável neste maravilhoso desporto. Um lado onde justiça e injustiça andam de mãos dadas e, não raras vezes, se confundem. Esse lado teve presença decisiva em Barcelos e ajudou a construir um resultado absolutamente inexplicável. 
O Marítimo teve mais bola, ocasiões de golo, qualidade de jogo e sai vergado a uma derrota pesadíssima. O Gil venceu, trabalhou imenso e foi terrivelmente eficaz. Em cinco oportunidades fez quatro golos e maquilhou uma exibição pobre, insegura e claramente montada no contra-ataque.
Repetimos: não é fácil explicar a evolução do marcador e o desfecho do mesmo. O Gil viu-se a ganhar bem cedo no jogo, através de um penalty marcado por João Vilela (falta de Roberge sobre Hugo Vieira) e, desde esse momento, entregou por completo a posse de bola ao Marítimo. 
Os insulares ameaçaram pela direita, foram pela esquerda, tiveram um David Simão enorme e um Suk a falhar por duas vezes o empate. Cruéis, os galos não quiseram saber disso e, mesmo em cima do intervalo, fizeram o segundo. Canto de Paulo Jorge, remate forte de Luís Carlos. 
Quando o Marítimo reduziu, também de penalty, faltavam 40 minutos para o fim e todos os presentes sugeriram que os insulares iam chegar à reviravolta. Tudo apontava para isso, de facto. O meio-campo do Gil não tinha intensidade, dinâmica, qualidade no passe e os madeirenses esmagavam o oponente contra as cordas. 
Eis que, sem aviso prévio, Paulo Jorge inventa uma jogada fabulosa e entrega de bandeja o terceiro do Gil Vicente a Hugo Vieira. Quase no lance seguinte, o mesmo Hugo Vieira voltou a encostar para golo, desta vez a passe de João Vilela. 
Em dois minutos toda a lógica reinante foi arrasada pela realidade muito própria do futebol. O Gil manteve-se imune aos encantos insulares e essa terá sido a sua principal virtude. Aguentou o mais que pôde, aparentou um sofrimento atroz e, em dois golpes furiosos, reclamou a coroa. 

Sentença injusta, sim, mas inapelável. O Gil conquista três preciosos pontos na luta pela manutenção. " por Pedro Jorge da Cunha in "Mais Futebol"

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O exemplo "crioulo"


Termina o conto de fadas dos Tubarões Azuis na C.A.N. 2013, com uma eliminação inglória aos pés de uma das selecções mais fortes em África (os ganeses remataram pela primeira vez aos 85 minutos, tiveram um grande penalidade muito duvidosa assinalada e um guarda-redes inspirado). 
Heldon, Gegé e cpa. surpreenderam o mundo do futebol, escreveram uma página de ouro na história do seu país e mostraram que este desporto de milhõ€s ainda vive de sonhos, ainda é "o jogo do povo".  
E que bela história: um controlador aéreo em licença sabática a conduzir um pequeno arquipélago com cerca de 500.000 habitantes a uma grande competição, onde conquistou o respeito e admiração de quem não os conhecia, como o demonstram várias crónicas dos mais afamados "pensadores" do desporto-rei por esse mundo fora, completamente rendidos. Parabéns!

E Cabo Verde serve-nos de inspiração, de bálsamo, nos momentos difíceis que atravessamos. 
Não tiveram as melhores condições de treino, não tinham experiência a nível das grandes competições, não tinham uma equipa técnica estrangeira paga a peso de ouro, e não tinham as individualidades que Marrocos, Angola e Gana apresentavam, eram vistos como os "outsiders". Mas alguém notou todas essas diferenças? 
Enquanto outros pensavam em prémios de jogo, enquanto outros pensavam nos seus contractos, os jogadores deste pequeno país estavam unidos, gratos pela oportunidade que o palco da C.A.N. dava à sua Cabo Verde, ao seu povo, e o que lhes faltava em experiência, na conta bancária, crescia-lhes em vontade, alegria, união, entre-ajuda, humildade e trabalho, e com isso foram a grande surpresa da CAN, e hoje, se houvesse justiça no futebol, e um árbitro mais competente, seriam também um tomba-gigantes. 
E é a exemplos como este que nós nos devemos agarrar, porque há coisas que o cifrão não compra e que podem fazer toda a diferença. 
Esperemos que o Heldon e o Gegé possam trazer com eles um pouco do espírito, da garra e do orgulho que eles viveram junto com a sua selecção. 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Gil Vicente – Marítimo (Antevisão)


Após dois jogos em casa jogamos fora contra o Gil Vicente. Jogo este que é mais uma vez importante pois temos de recuperar pontos e lugares na tabela classificativa.
Em caso de conseguirmos levar os 3 pontos, podemos ascender a alguns lugares na tabela, dependendo dos resultados de equipas como Rio Ave, Vitória de Guimarães, Sporting, Académica, Estoril e o próprio… Nacional (que caso consiga a vitória e nós o empate, passa à nossa frente).
É importante uma vitória, que vinha ajudar a atingir o objectivo europeu mas que também seria importantíssimo em termos anímicos e motivacionais para todos, ultrapassando os adeptos e atingindo os próprios jogadores e treinador.
Comparando as duas equipas, reparamos que estamos apenas em 10º lugar (com o mesmo número de pontos que quatro equipas) e o Gil Vicente em 13º (com os mesmos pontos que o 12º classificado), diferenciados apenas por 4 pontos.
Em questão de golos marcados, Marítimo e Gil Vicente são duas das três equipas com menos golos marcados, 14, e com grande diferença para os golos sofridos – no nosso caso sofremos 23 e o Gil Vicente sofreu 25.
Depois disto, mostrando alguns factores que podem ser importantes, podemos todos verificar que vão-se defrontar duas equipas que estão à procura da vitória para subir na tabela e que será um jogo equilibrado, difícil, competitivo e que não deve ter grandes oportunidades de golo.

Quanto à lista de convocados, acredito ser idêntica às anteriores, porém com uma diferença: Marakis está convocado na B, o que fará com que Semedo esteja convocado para a A.
A lista de convocados (a negrito estará colocado o que acho que será o 11 inicial).
Guarda-redes: Ricardo Ferreira; Welligton;
Defesas: João Diogo, Márcio Rozário, Roberge, Luís Olim, Briguel e Rúben Ferreira;
Médios: Rafael Miranda, Semedo, Artur e David Simão;
Avançados: Sami, Adilson, Danilo Dias, Suk, Kukula;

Marítimo - Gil Vicente, com vitória nossa por 1-0 - Pré Época 2012/2013

  • Será Semedo ou Artur a entrarem em campo de início?
  • Será Adilson ou Suk ou Kukula a assumir o papel de ponta de lança?
  • Concordam que será este o 11 inicial?


"Oh Marítimo, oh Marítimo
Sabes honrar a Madeira
Com orgulho e altivez 
Oh Marítimo, oh Marítimo 
Tens o nome à cabeceira 
Do desporto português"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Messias, escribas e o Estado Central.

"Se não vier um Messias..
Quando se fala de futebol profissional em Portugal, parece que se fala de uma qualquer coisa que nada tem a ver com o país que somos. Um país abalado por uma das maiores crises da sua história, económica e financeira, em que a população empobrece, em que o desemprego alastra e onde, todos os dias, uma empresa fecha. 
Sendo assim, por que carga de  água haveria o futebol de ser diferente? 
A maioria dos clubes em Portugal não vive, sobrevive. À excepção de Benfica e FC Porto, com uns (quase) obscenos orçamentos para a realidade lusitana, jogando um campeonato à parte, a que nem o Braga nem o Sporting têm possibilidades de desafiar, os restantes clubes da nossa Liga mitigam o que resta, cada vez com menos receitas para cobrir as despesas, mesmo que alguns com uma ginástica de fazer inveja, originando uma competição profundamente desequilibrada (equilibrada, isso sim, mas por baixo), perspectivando-se para breve situações de incumprimento a todos os níveis. Com a Liga a ver!
Na Madeira, duplamente penalizada pelo plano de resgate ao Continente, as coisas não são, muito naturalmente, melhores. Bem pelo contrário.
A recente entrevista do presidente do Nac.. ao programa 'Prolongamento' da RTP-M, mostrando um dirigente menos exuberante do que o habitual, comprova, contudo, a ideia de quem parece de costas voltadas para os problemas de toda uma região que não se circunscrevem unicamente ao futebol profissional. As políticas megalómanas de crescimento, pese embora embora a obra feita, mas em base pouco sustentada sob o ponto de vista social, pagam-se caro. Há problemas conhecidos, os mais recentes relativos a problemas fiscais e ao caso Rúben Micael. 
O Marítimo mergulha também em situações difíceis, financeiras e de contencioso fiscal, com um estádio inacabado, mas sustentado numa massa crítica e social, quiçá, a lhe permitir sobreviver mais no tempo, se, entretanto, nada mudar na política regional. Ou se não aparecer por aí um Messias salvador. 
Uma coisa o presidente do Nac... tem razão: será utopia exigir-se, por parte da comunicação social e dos adeptos, a Europa a Marítimo e Nac.. Os adeptos, e neste caso parece que os do Marítimo já interiorizaram isso, terão de habituar-se a novos tempos. Por agora alcançar a Europa não é uma miragem. Mas, muito em breve, leia-se já na próxima temporada, provavelmente os objectivos e ambições serão obrigatoriamente repensados. Se, entretanto, todos sobreviverem à tempestade." Emanuel Rosa 

Esta crise tem sido uma lição para muitos, e tem demonstrado que muitos de nós vivíamos acima das nossas reais possibilidades. Crescemos sem olhar a meios, sem sequer nos importar se essa ambição desmesurada comprometeria o futuro. 
Mas se uns já há algum tempo aprenderam a lição e aceitaram a cruel realidade, com tudo o que de negativo isso trouxe (sobretudo a nível desportivo, com todas as implicações que isso acarreta), outros há que apesar das reconhecidas dificuldades, não deixam com isso de mostrar a sua arrogância e os seus tiques de superioridade, continuando a sua saga como se nada se tivesse alterado. 
E isto vem (também) a propósito de mais um texto de um escriba remunerado, Pedro Mota (in "Diário de Notícias" 01-02-2013), que, para além de começar por dar parabéns a si próprio, fazendo depois toda a ladainha da auto-promoção da excelência, das modalidades que não fecharam (esquecendo-se de referir mais uma vez o futebol feminino e o futsal), vem falar da, agora importante, aposta na formação.
Esta estratégia, que começou com aquela dramática encenação de entregar as chaves e mandar os miúdos para a porta da Quinta Vigia (demonstra as reais motivações dos seus "responsáveis"), foi montada com a chegada da crise, com o intuito de chantagear e de conquistar alguma opinião pública mais desatenta. 
Este clube apenas este ano colocou dois jogadores madeirenses da sua formação na equipa principal, quando outros têm-no feito desde sempre, mas quem os lê parece que é um feito inédito, algo de inovador, de visionário. 
É que ainda na época passada este mesmo clube (garanto-vos que era o mesmo), na apresentação da nova época, acarinhava os "meninos da Choup.." que mais não eram que SEIS jogadores provenientes de Angra dos Reis. 
Onde é que estava a aposta na formação? Quantos madeirenses faziam parte desse plantel?
Há coincidências fantásticas, num há? 
Mas se existem questões a ser debatidas e resolvidas cá dentro, se existe uma urgente reflexão a fazer sobre o modelo que queremos para o nosso desporto, os objectivos que queremos atingir, etc., há também uma luta comum entre todos nós que é o tão propalado "princípio da continuidade territorial". 
Há muito boa gente que aponta o dedo mesmo sem conhecer a realidade da insularidade, gente que acha que é tudo igual e que não devem haver quaisquer distinções. 
Ora pois bem, sabiam essas pessoas que o Estado Central apoia as deslocações de todas as equipas continentais à Região e obriga a que as equipas da Madeira, por seu lado, continuem a custear as suas viagens, sem qualquer apoio do Estado? Mas que raio de país é este? 
Com isto já caíram várias equipas das mais diversas modalidades. Com isto o desporto, que deveria ser uma competição saudável e justa entre todos é ferido de morte: é por este facto que a equipa de Hóquei, de Voleibol e de Andebol, realizam jornadas duplas no rectângulo, competindo em dias seguidos, em condições muito adversas. É por isto que o clube optou por dar falta de comparência a um jogo nos Açores, da sua equipa de voleibol masculino, por essa viagem implicar um custo acrescido. 
Isto é coisa de terceiro mundo, é uma discriminação injusta, ilegal e inconstitucional aos praticantes que, segundo o Estado português, por azar nasceram numa região autónoma. 
E depois, como dizia um antigo seleccionador, os ch*l*s somos nós? 

A tua oportunidade.

O Marítimo procura junto dos seus adeptos, novos talentos para a "maritimo.tv"  (jornalistas, apresentadores, operadores de câmara, editores gráficos e pivôs).  
Não percas a oportunidade de fazer parte deste ambicioso projecto.